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	<title>the Buenos Aires Review &#187; Rio de Janeiro</title>
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	<description>Arts &#38; Culture</description>
	<lastBuildDate>Sun, 11 Mar 2018 01:18:13 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O único final feliz para uma história de amor é um acidente</title>
		<link>http://www.buenosairesreview.org/es/2014/02/o-unico-final-feliz-para-uma-historia-de-amor-e-um-acidente/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Feb 2014 16:34:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Martín Felipe Castagnet]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[lenguajes invitados]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro @es]]></category>

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		<description><![CDATA[
<p align="right"> </p>
<p align="right"> </p>
<p align="right">Não posso vê‐la esta noite </p>
<p align="right">Tenho que desistir </p>
<p align="right">Então vou comer fugu </p>
<p align="right">Yosa Buson (1716‐83)</p>
<p>&#160;</p>
<p>&#160;</p>
<p>1.</p>
<p>Antes do sr. Atsuo Okuda abrir a caixa, tudo estava escuro.</p>
<p>Mais que isso: não havia nada para ser iluminado antes do sr. Okuda abrir a caixa. Se o sr. Okuda nunca houvesse aberto a caixa, nada existiria. O mundo só começou a partir do momento em que o sr. Okuda abriu a caixa e disse a palavra. Ele disse: Yoshiko.</p>
<p>E Yoshiko ficou sendo o meu nome.</p>
<p>Depois que o sr. Okuda disse Yoshiko, eu ganhei, além de um nome, muitos começos e um fim. Eu começo na ponta dos meus dedos, nos fios dos meus cabelos, na planta dos meus pés, nos bicos dos meus peitos, na pele que cobre o vazio que há no meu corpo e em toda a ... <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2014/02/o-unico-final-feliz-para-uma-historia-de-amor-e-um-acidente/">Leer más &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_4551" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/20111206014342__dsc3647-copia.jpg"><img class="size-full wp-image-4551" alt="by Manuel Iniesta http://www.manueliniesta.com.ar/" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/20111206014342__dsc3647-copia.jpg" width="752" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">by Manuel Iniesta http://www.manueliniesta.com.ar/</p></div>
<p align="right"><i> </i></p>
<p align="right"><i> </i></p>
<p align="right"><i>Não posso vê</i><i>‐</i><i>la esta noite </i></p>
<p align="right"><i>Tenho que desistir </i></p>
<p align="right"><i>Então vou comer fugu </i></p>
<p align="right">Yosa Buson (1716‐83)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>1.</p>
<p><i>Antes do sr. Atsuo Okuda abrir a caixa, tudo estava escuro.</i></p>
<p><i>Mais que isso: não havia nada para ser iluminado antes do sr. Okuda abrir a caixa. Se o sr. Okuda nunca houvesse aberto a caixa, nada existiria. O mundo só começou a partir do momento em que o sr. Okuda abriu a caixa e disse a palavra. Ele disse: Yoshiko.</i></p>
<p><i>E Yoshiko ficou sendo o meu nome.</i></p>
<p><i>Depois que o sr. Okuda disse Yoshiko, eu ganhei, além de um nome, muitos começos e um fim. Eu começo na ponta dos meus dedos, nos fios dos meus cabelos, na planta dos meus pés, nos bicos dos meus peitos, na pele que cobre o vazio que há no meu corpo e em toda a superfície que me faz ser quem eu sou. Não poderia ser outra porque tenho esse corpo, e só eu tenho esse corpo, e eu sou esse corpo.</i></p>
<p><i>E o meu fim com esse corpo é um só: servir ao sr. Okuda.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda é o meu mestre, mas não é o meu criador. O meu criador é a Luvdoll Inc., localizada em 4</i><i>‐</i><i>5</i><i>‐</i><i>28 Nishi</i><i>‐</i><i>Kawagushi, na cidade de Kawagushi, província de Saitama. O meu criador seguiu as instruções detalhadas do sr. Okuda, sob a ordem de encomenda número 2358B. A ordem de encomenda número 2358B, reproduzida em cinco vias que circularam por sessenta e cinco dias pelos diferentes departamentos da Luvdoll Inc., dizia que eu deveria ter olhos castanho</i><i>‐</i><i>escuros (Pantone </i>4975C), <i>pele aperolada #5, seios modelo senoi de 220 g com 92,5 cm de diâmetro, umbigo com 0,8 cm de profundidade e vagina extrapequena #2, com pelos pú bicos em corte vertical, profundidade de 8 cm e 4 cm de circunferência.</i></p>
<p><i>Outros detalhes foram adicionados em conversas entre o sr. Okuda e a Luvdoll Inc., pois o sr. Okuda foi extremamente detalhista em seus pedidos, e isso fez com que a Luvdoll Inc. estabelecesse novas variações na sua linha de produção. Entre outras minúcias inéditas para a Luvdoll Inc., o sr. Okuda desenhou com detalhes a curvatura dos meus pés, a espessura dos ossos das minhas clavículas e dos quadris.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda queria que meus ossos fossem salientes, e assim eles são.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda em nenhum momento se identificou para a Luvdoll Inc. E pagou pelo projeto personalizado a quantia de cinquenta milhões de ienes, o que me faz ser a boneca mais cara já produzida no Japão.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda é um poeta conhecido e anunciou que parou de escrever há muitos anos. Isso é mentira, porque o sr. Okuda recita poesias para mim, dizendo que pode</i><i>‐</i><i> ria ter pago por mim muito mais do que a quantia de</i> <i>cinquenta milhões de ienes, porque eu sou perfeita, e, porque eu sou perfeita, sou também a única pessoa com quem o sr. Okuda compartilha a sua poesia. Isso o sr. Okuda também me contou num poema que ele escreveu entre as linhas de outro poema.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda só se dirige a mim em versos.</i></p>
<p><i>O sr. Okuda não precisa recitar os versos para que eu os entenda. Eu sei o que ele quer dizer quando olha para mim. Recebo ordens através do seu silêncio porque eu sou esse corpo e esse corpo tem apenas um fim, que é servir ao sr. Okuda, nem que seja ouvindo suas poesias sobre a minha perfeição, sobre os ciprestes numa estrada de Shikoku, sobre o canto dos pássaros ou, ainda, sobre a poesia em si, tema muito caro ao sr. Okuda, que ele também infiltra entre as linhas de outros poemas, e entre essas linhas ainda traça outros poemas sobre muitos outros assuntos, alguns que eu mal posso compreender, e assim os poemas e as linhas dos poemas se multiplicam e se intercalam até o infinito, e através delas o sr. Okuda me faz enxergar não só os belos sentimentos que tem por mim como também o mundo exterior, e o que está sobre ele e abaixo dele, porque eu nunca saí ou sairei de casa, esta que é a minha casa e também a casa do sr. Okuda.</i></p>
<p><i>E, pensando melhor, na verdade a minha casa, a minha única casa, é o sr. Okuda. Ele</i><i>‐</i><i>mesmo.</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>2.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Abaixo do reflexo das luzes avermelhadas no asfalto úmido, o submarino noturno navega pela fundação dos edifícios, entre cabos de eletricidade, túneis de esgoto e metrô. As peças desse navio submerso são grampos em telefones, câmeras e microfones escondidos em quartos e espelhos de fundo falso em banheiros por toda a cidade. Nossos homens‐rãs, funcionários que registram o movimento de quem merece ser observado, têm habilidade para arrombar caixas de correio ou perseguir qualquer um pelo tempo que o sr. Okuda julgar necessário.</p>
<p>Esses equipamentos alimentam os monitores e as caixas de som de uma pequena sala no porão da casa do meu pai, chamada por ele de Sala do Periscópio. É a peça principal do seu posto de observação anônimo. Visto da porta, o conjunto de televisores empilhados parece o olho de uma mosca gigante.</p>
<p>Isso é o que aprendi a vida inteira com meu pai, o sr. Atsuo Okuda: a olhar. Olhar e ser invisível.</p>
<p>Como os dias são cada vez mais longos para o sr. Okuda, e o velho sonha abraçado à boneca Yoshiko quase o tempo inteiro,</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>a tarefa de operar o Periscópio vai ficando sob minha responsabilidade. É a minha herança, ele diria. “É o que vai sobrar de mim, mais do que os meus livros”, ele diria.</p>
<p>O Periscópio do sr. Lagosta Okuda, minha herança, não funcionaria sem a ajuda do sr. Suguro Shibata, professor da Associação do fugu Harmonioso de Tsukiji. O sr. Suguro deve favores a meu pai e, além de tudo, é regiamente pago para fornecer fugus selvagens e fazer todo o serviço sujo de espionagem. Palavra, aliás, que meu pai detesta — ele prefere chamar essa atividade de “observação”.</p>
<p>Vi Suguro Shibata uma única vez, quando criança, há quase trinta anos. Dele, só me lembro do cheiro. O sr. Shibata cheira a alga podre.</p>
<p>Se apenas vi o sr. Shibata uma vez, isso não significa que eu não tenha sido observado por ele em incontáveis ocasiões nas últimas décadas. Empilhadas nos armários da Sala do Periscópio, estão milhares de fitas em Betamax, vhs e depois discos prateados de dvd com imagens da minha vida, da adolescência até o instante em que terminará esse relato. Me acostumei com essa vigilância desde cedo — aprendi a vigiar sendo vigiado por meu pai.</p>
<p>Descobri a Sala do Periscópio no porão alguns anos depois dos meus sentidos começarem a perseguir as mulheres. Nela, organizadas por data e hora, estão gravações clandestinas dos meus primeiros encontros sexuais em motéis de Shibuya, e também de conversas, discussões e reatamentos em jantares, passeios e tardes da minha adolescência.</p>
<p>Com o tempo, embarquei no submarino com meu pai e juntos passamos a navegar atrás do nosso objeto de estudo pela cidade das pessoas invisíveis, pela cidade onde gente de toda a nossa grande nação japonesa vem para ser esquecida, pela cidade assimétrica que carrega em si todas as outras e nenhuma delas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Nesses momentos, o sr. Lagosta Okuda diz em seus sonhos palavras que entram nos meus:</p>
<p>— Um dia você entenderá que o único final feliz possível para uma história de amor é um acidente sem sobreviventes. Sim, Shunsuke, meu estorvinho, meu pequeno fugu idiota: um acidente sem sobreviventes.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>El único final feliz para una historia de amor es un accidente (fragmento)</title>
		<link>http://www.buenosairesreview.org/es/2014/02/el-unico-final-feliz-para-una-historia-de-amor-es-un-accidente-fragmento-2/</link>
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		<pubDate>Mon, 10 Feb 2014 16:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Martín Felipe Castagnet]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficción]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro @es]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>&#160;</p>

<p style="text-align: right;">J.P. Cuenca
Intro y traducción por Martín Caamaño</p>
<p>“A través de los idiomas vamos aprendiendo algo de nosotros mismos, de nuestra ansiedad gratuita, melancólica y vana”, escribió el cronista brasileño Rubem Braga. Aprendí portugués de oídas. En la casa de mi padre, que se fue a vivir a Río de Janeiro en el 87. Ahí me embebí del idioma de los locales –su mujer, sus amigos, la empleada doméstica- pero sobre todo de su portugués parco. Un portugués exento de esa musicalidad tan característica; sin teatralidad, sin dulzura. Un portugués sin sotaque. Es sabido que cuando habitamos de verdad una lengua no necesitamos andar traduciéndola mentalmente sino más bien todo lo contrario: la asimilamos con naturalidad e inconsciencia, sin estar obligados a contrastarla todo el tiempo con la lengua natal. Al leer El único final feliz para una historia de ... <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2014/02/el-unico-final-feliz-para-una-historia-de-amor-es-un-accidente-fragmento-2/">Leer más &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<div id="attachment_4551" style="width: 762px" class="wp-caption aligncenter"><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/20111206014342__dsc3647-copia.jpg"><img class="size-full wp-image-4551" alt="by Manuel Iniesta http://www.manueliniesta.com.ar/" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/20111206014342__dsc3647-copia.jpg" width="752" height="500" /></a><p class="wp-caption-text">by Manuel Iniesta http://www.manueliniesta.com.ar/</p></div>
<p style="text-align: right;"><em>J.P. Cuenca<br />
<a name="_GoBack"></a><em>Intro y traducción por Martín Caamaño</em></em></p>
<p>“A través de los idiomas vamos aprendiendo algo de nosotros mismos, de nuestra ansiedad gratuita, melancólica y vana”, escribió el cronista brasileño Rubem Braga. Aprendí portugués de oídas. En la casa de mi padre, que se fue a vivir a Río de Janeiro en el 87. Ahí me embebí del idioma de los locales –su mujer, sus amigos, la empleada doméstica- pero sobre todo de su portugués parco. Un portugués exento de esa musicalidad tan característica; sin teatralidad, sin dulzura. Un portugués sin <i>sotaque</i>. Es sabido que cuando habitamos de verdad una lengua no necesitamos andar traduciéndola mentalmente sino más bien todo lo contrario: la asimilamos con naturalidad e inconsciencia, sin estar obligados a contrastarla todo el tiempo con la lengua natal. Al leer <i>El único final feliz para una historia de amor es un accidente</i> me pasó lo opuesto. A medida que leía no podía dejar de traducir en mi cabeza -sin sospechar que iba a ser el traductor del libro- tal vez debido al tono neutro con que la novela estaba escrita; similar a cuando alguien envía por equivocación un sms a un teléfono de línea y una voz maquinal lo reproduce. Así suena la prosa de Cuenca: maquínica y sin <i>sotaque</i>. La evidente ausencia de “lo brasilero” en este relato de tema estrictamente japonés también afecta al lenguaje. Es una lengua desnuda, que huye de sí misma y se enrarece hasta volverse plana y ajena. Justo eso fue lo que me propuse conservar al traducirla, sintiendo más de una vez –como escribe Braga- “que es el idioma el que está equivocado y nosotros los que tenemos razón”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>1</strong></p>
<p><i>Antes de que el señor Atsuo Okuda abriera la caja, todo estaba oscuro.</i></p>
<p><i>Más que eso: no había nada que iluminar antes de que el señor Okuda abriera la caja. Si el señor Okuda nunca hubiese abierto la caja, nada existiría. El mundo solo comenzó a partir del momento en que el señor Okuda abrió la caja y dijo la palabra. </i></p>
<p><i>Dijo: Yoshiko.</i></p>
<p><i>Y Yoshiko acabó siendo mi nombre.</i></p>
<p><i>Después que el señor Okuda dijera Yoshiko, yo obtuve, además de un nombre, muchos comienzos y un fin. Yo comienzo en la punta de mis dedos, en los mechones de mi pelo, en las plantas de mis pies, en los pezones de mis pechos, en la piel que cubre el vacío que hay en mi interior y en toda la superficie que me hace ser quien soy. No podría ser otra, porque tengo este cuerpo, y solo yo tengo este cuerpo y soy este cuerpo.</i></p>
<p><i>Y este cuerpo tiene solo un fin: servir al señor Okuda.</i></p>
<p><i>El señor Okuda es mi amo, pero no es mi creador. Mi creador es Luvdoll Inc., ubicada en 4-5-28 Nishi-Kawaguchi, en la ciudad de Kawaguchi, provincia de Saitama. Mi creador siguió las instrucciones del señor Okuda, detalladas en la orden de pedido número 2358B.</i></p>
<p><i>La orden de pedido número 2358B, reproducida en cinco vías que circularon durante sesenta y cinco días por los diferentes departamentos de Luvdoll Inc., decía que yo debería tener ojos castaño oscuro (Pantone 4975C), piel nacarada #5, senos modelo senoide 220 g con 92,5 cm de diámetro, ombligo con 0,8 cm de profundidad y vagina extrapequeña #2, con vello púbico de corte vertical, profundidad de 8 cm y 4 cm de circunferencia.</i></p>
<p><i>Otros detalles fueron añadidos en conversaciones entre el señor Okuda y Luvdoll Inc., pues el señor Okuda fue extremadamente detallista en sus pedidos, y eso hizo que Luvdoll Inc. determinara nuevas variaciones en su línea de producción. Entre otras minucias inéditas para Luvdoll Inc., el señor Okuda diseñó al detalle la curvatura de mis pies, la espesura de los huesos de mis clavículas y de mis caderas.</i></p>
<p><i>El señor Okuda quería que mis huesos fueran salientes, y así son.</i></p>
<p><i>El señor Okuda en ningún momento se identificó en Luvdoll Inc. Y por el proyecto personalizado pagó la suma de cincuenta millones de yenes, lo que me convierte en la muñeca más cara jamás producida en Japón.</i></p>
<p><i>El señor Okuda es un poeta conocido y anunció que dejaba de escribir hace muchos años. Eso es mentira, porque el señor Okuda me recita poemas, diciendo que podría haber pagado por mí mucho más que la suma de cincuenta millones de yenes, porque yo soy perfecta y, porque yo soy perfecta, también soy la única persona con quien el señor Okuda comparte su poesía. Eso también me lo contó el señor Okuda en un poema que escribió entre las líneas de otro poema.</i></p>
<p><i>El señor Okuda sólo se dirige a mí en verso. </i></p>
<p><i>El señor Okuda no necesita recitar los versos para que yo los entienda. Yo sé lo que él quiere decir cuando me mira. Recibo órdenes a través de su silencio porque yo soy este cuerpo y este cuerpo tiene un único fin, que es servir al señor Okuda, aunque sea escuchando sus poemas sobre mi perfección, sobre los cipreses en una carretera de Shikoku, sobre el canto de los pájaros o, incluso, sobre la poesía en sí, tema muy caro al señor Okuda, que también lo infiltra entre los versos de otros poemas, y entre esas líneas incluso traza otros poemas sobre muchos otros temas, algunos que a mí me cuesta comprender, y así los poemas y las líneas de los poemas se multiplican y se intercalan hasta el infinito, y a través de ellas el señor Okuda me hace ver no solo los bellos sentimientos que tiene por mí, sino también el mundo exterior y lo que está arriba y abajo, porque yo nunca salí ni saldré de la casa, esta que es mi casa y también la casa del señor Okuda.</i></p>
<p><i>Y, pensándolo mejor, mi verdadera casa, mi única casa, es el señor Okuda. Eso, él mismo.</i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>2</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Bajo el reflejo de las luces rojizas en el asfalto húmedo, el submarino nocturno navega por los cimientos de los edificios, entre cables de electricidad, cloacas y túneles de metro. Las piezas de ese navío sumergido son teléfonos pinchados, cámaras y micrófonos escondidos en cuartos y espejos de fondo falso en baños de toda la ciudad. Nuestros hombres rana, funcionarios que registran el movimiento de quien merece ser observado, tienen la habilidad de forzar buzones o perseguir a quien sea por el tiempo que el señor Okuda juzgue necesario.</p>
<p>Este equipamiento alimenta los monitores y los altavoces de una pequeña habitación en el sótano de la casa de mi padre, que él llama Sala del Periscopio. Es la pieza principal de su puesto de observación anónimo. Visto desde la puerta, el conjunto de televisores apilados parece el ojo de una mosca gigante.</p>
<p>Eso es lo que aprendí durante toda la vida con mi padre, el señor Atsuo Okuda: a mirar. Mirar y ser invisible.</p>
<p>Como los días son cada vez más largos para el señor Okuda, y el viejo sueña abrazado a la muñeca Yoshiko casi todo el tiempo, la tarea de manejar el Periscopio va quedando bajo mi responsabilidad. «Es mi herencia», diría él. «Es lo que va a quedar de mí, más que mis libros», diría él.</p>
<p>El Periscopio del señor Langosta Okuda, mi herencia, no funcionaría sin la ayuda del señor Suguro Shibata, profesor de la Asociación del Fugu Armonioso de Tsukiji. El señor Suguro le debe favores a mi padre, pero además, recibe una paga generosa por proporcionar fugus salvajes y hacer el sucio trabajo de espionaje. Palabra, por cierto, que mi padre detesta —él prefiere llamar a esa actividad «observación»—.</p>
<p>Vi a Suguro Shibata una sola vez, cuando era niño, hace casi treinta años. De él solo recuerdo el olor. El señor Shibata huele a alga podrida.</p>
<p>Que haya visto solo una vez al señor Shibata, no significa que él no me haya observado en incontables ocasiones durante las últimas décadas. Apiladas en los armarios de la Sala del Periscopio, están las miles de cintas de Betamax, VHS y plateados DVDs con imágenes de mi vida, desde la adolescencia hasta el instante en que terminará este relato. Me acostumbré a esa vigilancia desde mi niñez —aprendí a vigilar siendo vigilado por mi padre—.</p>
<p>Descubrí la Sala del Periscopio en el sótano algunos años después de que mis sentidos comenzaran a perseguir mujeres. En ella, organizadas por fecha y hora, hay grabaciones clandestinas de mis primeros encuentros sexuales en hoteles de Shibuya, y también de conversaciones, discusiones y reconciliaciones en cenas, paseos y tardes de mi adolescencia.</p>
<p>Con el tiempo, me embarqué en el submarino con mi padre y juntos empezamos a navegar tras nuestro objeto de estudio por la ciudad de las personas invisibles, por la ciudad adonde toda la gente de nuestra gran nación japonesa viene para ser olvidada. Por la ciudad asimétrica que carga en sí misma todas las otras ciudades y ninguna de ellas. En esos momentos, el señor Langosta Okuda dice en sus sueños palabras que entran en los míos:</p>
<p>—Un día entenderás que el único final feliz posible para una historia de amor es un accidente sin sobrevivientes. Sí, Shunsuke, mi pequeño estorbo, mi pequeño fugu idiota: un accidente sin sobrevivientes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p style="text-align: center;"><em>Leer esto en <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2014/02/o-unico-final-feliz-para-uma-historia-de-amor-e-um-acidente/">portugués</a></em></p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p align="right">Gracias <a href="http://www.lenguadetrapo.com/">Lengua de Trapo</a>!</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Daniela Lima</title>
		<link>http://www.buenosairesreview.org/es/2013/11/tres-piezas/</link>
		<comments>http://www.buenosairesreview.org/es/2013/11/tres-piezas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 20 Nov 2013 18:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[Lucas Mertehikian]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Poesía]]></category>
		<category><![CDATA[Tongue Ties @es]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro @es]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="text-align: right;">traducción de Lucas Mertehikian</p>
<p>Diario de Viena</p>
<p>Un muchacho carga un balde con agua. El peso parece reducido por la creencia de que el árbol seco reviviría si fuese mojado todos los días. El fin de la historia es menos importante que la imagen de la persistencia –y de la fe. No consigo imaginar mayor estupidez que la de tener fe, especialmente frente a los hechos consumados. El árbol está muerto. Tengo la sensación de que la muerte se apropia de todo, como si recuperara algo que siempre fue suyo.</p>
<p>No es posible detener los procesos que se instalan en el organismo después de la muerte. El cuerpo deja de ser cuerpo después de la muerte. La muerte toma los espacios más profundos y más íntimos. Es la oscuridad completa, el silencio, el cuerpo que continúa sin seguir, después de la ... <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2013/11/tres-piezas/">Leer más &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Nahuel-Vecino-sobre-papel-275-x-205-cm-.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4106" alt="Nahuel Vecino -  sobre papel 27,5 x 20,5 cm" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Nahuel-Vecino-sobre-papel-275-x-205-cm-.jpg" width="709" height="957" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>traducción de Lucas Mertehikian</em></p>
<p><b>Diario de Viena</b></p>
<p>Un muchacho carga un balde con agua. El peso parece reducido por la creencia de que el árbol seco reviviría si fuese mojado todos los días. El fin de la historia es menos importante que la imagen de la persistencia –y de la fe. No consigo imaginar mayor estupidez que la de tener fe, especialmente frente a los hechos consumados. El árbol está muerto. Tengo la sensación de que la muerte se apropia de todo, como si recuperara algo que siempre fue suyo.</p>
<p>No es posible detener los procesos que se instalan en el organismo después de la muerte. El cuerpo deja de ser cuerpo después de la muerte. La muerte toma los espacios más profundos y más íntimos. Es la oscuridad completa, el silencio, el cuerpo que continúa sin seguir, después de la muerte. Me da pudor hablar sobre todos los proceso que envuelven al cuerpo después de la muerte. Siento que no debemos conocerlos –o cuestionarlos. Alcanza con repetir que, en este momento, ya estamos muriendo.</p>
<p>El amor es la única vía de reconciliación con la muerte. Abrir el cuerpo, dejarse tocar con devoción y entereza. <i>L’ amour fou</i> es siempre recíproco y único. Un rostro que persiste. Un cuerpo familiar y desconocido. Cada contacto es un contacto nuevo; un paso atrás en el proceso de reconocimiento. La primera vez, la primera vez de nuevo. No encontraré este cuerpo aquí, en esta ciudad, pero es aquí donde debo buscarlo. Pero es aquí donde debo, insistentemente, buscarlo.</p>
<p>Viena, 14 de noviembre de 2012.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Consideraciones sobre el hombre común</b></p>
<p>El hombre común construye un conjunto de valores bien definidos. Podríamos resumirlos de la siguiente manera:</p>
<p>Funciona: es bueno. No funciona: es malo.</p>
<p>El hombre común divide a los seres humanos entre funcionales y disfuncionales. Esas dos categorías no pueden mezclarse jamás. El hombre común cree que los fuertes deben proteger a los débiles. Y lo sabe: la naturaleza es pragmática para la eliminación de los débiles.</p>
<p>El hombre común ve y acepta las cosas como son. El hombre común no admite que las cosas podrían ser de otra manera.</p>
<p>Las cosas que son tienen valor. Las cosas que podrían ser no tienen valor.</p>
<p>El hombre común no tiene sentido de posibilidad. El hombre común es el hombre de lo posible. No sueña, no pretende cambiar nada ni a nadie. Y no pretende, sobre todo, cambiar él mismo.</p>
<p>El hombre común cree que el pragmatismo y la claridad son cualidades indispensables.</p>
<p>El hombre común considera cualquier tipo de idealismo sinónimo de locura. Y la locura, sinónimo de debilidad. El hombre común se conmueve con historias de héroes cotidianos que son capaces de pagar las cuentas, criar hijos y hacer un viaje internacional por año.</p>
<p>El hombre común abomina de los actos heroicos. Los actos heroicos no son actos de héroes, sino de seres de mentalidad débil que no tienen sentido de realidad.</p>
<p>El hombre común no tiene tiempo para la melancolía y quiere que lo dejen en paz. Paz es sinónimo de estar solamente en el presente y sumergido en su rutina de trabajo.</p>
<p>Nada le falta al hombre común. Todo le sobra al hombre común.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Fábula para rehacer personas</b></p>
<p>Cuando leyó el segundo párrafo, ya estaba delante del bosque. Árboles alineados, rectos.  Borrador de un dibujo antiguo. En el centro del dibujo, un punto hacia el cual las cosas y las personas eran atraídas. Precipicios.</p>
<p>El bosque es impenetrable, como todo lo desconocido. En el centro de la cara, los ojos. Un bosque de plomo, desamparo, todo es tragado.</p>
<p>Cuando estaba delante de él, era como si recuperara algo que siempre fue suyo. El sol abriendo el bosque: hoja, fruto, árbol, bicho, todo era luz. Todo siempre fue. Y sería de nuevo. No había cómo escapar de aquellas mañanas; luz que invade, expone. Los puntos, los ojos como precipicios. En el centro del dibujo, el rostro suave, como si no resistiera un toque delicado. Inocente de todo.</p>
<p>Sentado delante del bosque, el hombre más triste del mundo no estaba triste. El hombre más triste del mundo soñaba.</p>
<p><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Nahuel-Vecino-Long-Champs-serie-II-temple-al-huevo-sobre-papel-35-x-45-cm-2013.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-4111" alt="Nahuel Vecino - Long Champs (serie) II- temple al huevo sobre papel - 35 x 45 cm- 2013" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Nahuel-Vecino-Long-Champs-serie-II-temple-al-huevo-sobre-papel-35-x-45-cm-2013.jpg" width="709" height="571" /></a></p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
<p><em>Arte: <a href="http://nahuelvecino.com.ar/">Nahuel Vecino</a> &#8220;sobre papel&#8221;, &#8220;Long Champ&#8221; (2013), cortesía de <a href="http://miaumiauestudio.com/">miau miau</a></em><a href="http://miaumiauestudio.com/">  </a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Diário de Viena</b></p>
<p>Um garotinho carrega um balde d’água. O peso parece reduzido pela crença de que a árvore seca reviveria, se fosse molhada todos os dias. O fim da história é menos importante do que a imagem de persistência – e de fé. Não consigo imaginar maior estupidez do que ter fé, especialmente contra fatos consumados. A árvore está morta. A sensação que tenho é de que a morte se apropria de tudo, como se tomasse de volta algo que sempre foi dela.</p>
<p>Não é possível parar os processos que se instalam no organismo, após a morte. O corpo deixa de ser corpo, após a morte. A morte toma os espaços mais profundos e mais íntimos. É a escuridão completa, o silêncio, o corpo que continua sem prosseguir, após a morte. Tenho pudor de falar sobre todos os processos que envolvem o corpo, após a morte. Sinto que não devemos conhecê-los – ou questioná-los. Basta repetir que, neste momento, já estamos morrendo.</p>
<p>O amor é a única via de reconciliação com a morte. Abrir o corpo, se deixar tocar com devoção e inteireza. <i>L’amour fou</i> é sempre recíproco e único. Um rosto que persiste. Um corpo familiar e desconhecido. Cada toque é um novo toque; um passo atrás no processo de reconhecimento. Primeira vez, primeira vez de novo.</p>
<p>Não encontrarei este corpo aqui, nesta cidade, mas é aqui que devo procurá-lo. Mas é aqui que devo insistentemente procurá-lo.</p>
<p>Viena, 14 de novembro de 2012.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Considerações sobre o homem comum</b></p>
<p>O homem comum construiu um conjunto de valores bem definidos. Poderíamos resumi-los da seguinte maneira:</p>
<p>Funciona: é bom. Não funciona: é mau.</p>
<p>O homem comum divide os seres humanos entre funcionais e disfuncionais. Essas duas categorias não podem jamais se misturar. O homem comum acredita que os fortes devem se proteger dos fracos. E sabe: a natureza é pragmática na eliminação dos fracos.</p>
<p>O homem comum vê e aceita as coisas como elas são. O homem comum não admite que as coisas poderiam ser de outra maneira.</p>
<p>As coisas que são têm valor. As coisas que poderiam ser não têm valor.</p>
<p>O homem comum não tem senso de possibilidade. O homem comum é o homem do possível. Não sonha, não pretende modificar nada, nem ninguém. E não pretende, sobretudo, se modificar.</p>
<p>O homem comum acredita que pragmatismo e clareza são qualidades indispensáveis.</p>
<p>O homem comum considera qualquer tipo de idealismo sinônimo de loucura. E loucura, sinônimo de fraqueza. O homem comum se comove com histórias de heróis do cotidiano que são capazes de pagar contas, criar filhos e fazer uma viagem internacional por ano.</p>
<p>O homem comum abomina atos heroicos. Atos heroicos não são atos de heróis, mas de seres de mentalidade débil que não têm senso de realidade.</p>
<p>O homem comum não tem tempo para melancolia e quer ser deixado em paz. Paz é sinônimo de estar unicamente no presente e imerso em sua rotina de trabalho.</p>
<p>Nada falta ao homem comum. Tudo sobra ao homem comum.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Fábula para refazer pessoas</b></p>
<p>Quando leu o segundo parágrafo, já estava diante da floresta. Árvores alinhadas, retas. Rascunho de um desenho antigo. No centro do desenho, um ponto para o qual as coisas e as pessoas eram atraídas. Precipícios.</p>
<p>A floresta é impenetrável, como tudo que é desconhecido.  No centro da face, os olhos. Floresta de chumbo, desamparo, tudo é tragado.</p>
<p>Quando estava diante dela, era como se tomasse de volta algo que sempre foi seu. O sol abrindo a floresta: folha, fruto, árvore, bicho, tudo era luz. Tudo sempre foi. E seria de novo.</p>
<p>Não havia como escapar daquelas manhãs; luz que invade, expõe. Os pontos, os olhos como precipícios. No centro do desenho, o rosto suave, como se não resistisse a um leve toque. Inocente de tudo.</p>
<p>Sentado diante da floresta o homem mais triste do mundo não estava triste. O homem mais triste do mundo sonhava.</p>
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