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	<title>the Buenos Aires Review &#187; Porto Alegre</title>
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	<description>Arts &#38; Culture</description>
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		<title>O leito</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2015 03:23:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[heather]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[lenguajes invitados]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre @es]]></category>

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		<description><![CDATA[<p align="center"> </p>
<p style="text-align: right;">Carol Bensimon</p>
<p>Acontece que nasceram numa cidade bem pequena entre duas mais ou menos grandes, um tipo de coisa ruim para o conformar-se, porque assim tinham toda a estrada para olhar, e olhavam. E acontece que na beira da estrada havia uma venda em casa de mil novecentos e trinta e poucos, seus degraus uma arquibancada para as meninas. Ficavam, e toda a tarde. Uns carros iam passando, um carro parava. Titi deixava que as pernas finas se esticas­sem na passagem, as picadas de mosquito em casquinhas de sangue de tanto coçar. A camiseta ia até as coxas, se coxas já tivesse. O viajante pedia licença, entrava, Titi ria escondido. Lina, mais velha em três anos, era um tanto mais triste. Não mostrava perna nem nada, pois alguma coisa já começava a ter. Riscava o nome com uma ... <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2015/08/o-leito-2/">Leer más &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="line-height: 1.5em;"><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Vasallo_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5708" alt="Vasallo_2" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Vasallo_2.jpg" width="472" height="709" /></a> </span></p>
<p style="text-align: right;"><em>Carol Bensimon</em></p>
<p>Acontece que nasceram numa cidade bem pequena entre duas mais ou menos grandes, um tipo de coisa ruim para o conformar-se, porque assim tinham toda a estrada para olhar, e olhavam. E acontece que na beira da estrada havia uma venda em casa de mil novecentos e trinta e poucos, seus degraus uma arquibancada para as meninas. Ficavam, e toda a tarde. Uns carros iam passando, um carro parava. Titi deixava que as pernas finas se esticas­sem na passagem, as picadas de mosquito em casquinhas de sangue de tanto coçar. A camiseta ia até as coxas, se coxas já tivesse. O viajante pedia licença, entrava, Titi ria escondido. Lina, mais velha em três anos, era um tanto mais triste. Não mostrava perna nem nada, pois alguma coisa já começava a ter. Riscava o nome com uma pedra, só a pulseira com bolinhas amarelas quebrava o preto da roupa. O viajante outra vez ia embora com a coca-cola. Se vinham famílias, tanto melhor, a venda estalava como uma velha senhora. Dona Celestina fazia as somas a lápis na letra demorada de colégio. O viajante se impacientava porque tinha que viajar. E dentro da venda os velhos jo­gavam dominó sem falar um com o outro.</p>
<p>Titi disse assim nuns começos de março: tá quente, a gente podia nadar, e sorriu pra Lina. É porque seguindo a trilha aberta por insistência no meio do matagal, tinha esse rio que aparecia, correndo também como a estrada, indo, até que surgissem nas margens, já bem longe, as serrarias, a usina abandonada e a tristeza dos peixes à milanesa com limão em prato de plástico para quem não podia pagar as férias com paisagem melhor. Mas nada disso tinham visto as irmãs. Lina já não achava no rio tanta graça. Os pés iam grudando no fundo, os dedos roçando o áspero e descendo pela areia, e por onde e por quem tinha passado aquela água era coisa que não dava pra saber. Não respondeu. Titi fez uma bola de chiclete, colocou a língua no meio. Que rio que nada, continuou pensando a Lina. Era ainda pior porque os garotos agora tinham a mania de fumar escon­didos perto da figueira e riam por qualquer bobagem, os pés enfiados pra dentro d’água, falando alto, rindo de quê.</p>
<p align="center"><span style="line-height: 1.5em;">*</span></p>
<p style="text-align: left;" align="center"><span style="line-height: 1.5em;">Titi entrou correndo no rio, batendo n’água com as palmas abertas. Voavam gotas aos montes, num barulho que tapou o dos carros na estrada. Parece é que ela se divertia sempre, mesmo com a repetição sem fim, e nisso Lina sentia umas pontas de raiva, que abafava logo para não achar que era má. E daí fazia uns mimos e pronto, respirava aliviada. Mas quem sabe o que ia acontecer dali a dois ou três anos com a tal da facilidade da Titi em se agradar de qualquer coisa.</span></p>
<p><span style="line-height: 1.5em;">Lina foi entrando na água bem devagar, sentindo o gela­do, ajeitando o biquíni, olhando a margem, o mato. O tron­co da figueira não tinha nem garoto nem bicicleta encosta­da, e a sombra da figueira, ninguém espalhado por cima. Em volta era só pássaro e peixe, o cansaço de não acontecer nada. Cidade besta. Uma praça, uma igreja, nenhum semá­foro, conversas repetidas. Quem consegue sair, vira herói e assunto. No domingo, as famílias vão para a rua e andam de uma ponta até a outra e bem devagarzinho, que é pra cida­de não acabar rápido demais. Passeiam na igreja. Passeiam na praça. O herói vem de longe, a família sai para desfilar o herói. E os outros, nas esquinas, poucas esquinas, fazem concha com as mãos para contar o que ouviram dizer.</span></p>
<p>Lina foi até a metade do rio. Quando mergulhou, ouviu que a Titi começava a falar alguma coisa, mas então a água ficou por cima do resto. Abriu os olhos lá embaixo. As per­nas da irmã batiam sincronizadas, como um brinquedo de corda posto numa bacia. Lina se aproveitou do silêncio o tempo que pôde. Até que era bom. Deu então para imagi­nar ou relembrar o João. O João era um dos meninos, ou o único. O resto eram os meninos que andavam com o João e só. Riam todos do mesmo jeito (das piadas do João). Sen­tavam todos do mesmo jeito (em volta do João). Jogavam todos o videogame do João. Pela janela se via em muitas noites o azulado da sala, se sentia o cheiro da pipoca, se es­cutavam os dedos batendo os botões, e os gritos dos zum­bis destroçados, pá pá pá, mas o João é muito bom mesmo e o jogo acabou tão rápido que tem que mandar vir outro, porque em casa de João não tem data para ganhar presen­te, nem se precisa provar bom comportamento. Pois então foi esse o João que Lina quis imaginar empoleirado num galho da figueira, com um cigarro atrás da orelha, sorrindo e oferecendo. Quer, Lina? Nunca aconteceu.</p>
<p>Saiu debaixo d’água. Nisso a pequena se chegava com as pernas aos trancos e os olhos grandes cintilando de um medo contente, ansiosa para dar a notícia. Você tá ouvindo isso? Sim, ué, um barulhão, mas o que é? Fala, pô. Titi respirava pesado. E mesmo que a princípio não houvesse mais ninguém por perto, primeiro Titi fez uma concha em volta da boca, para daí então falar.</p>
<p style="text-align: center;"> *</p>
<p>Correram a recolher as roupas e vestiram algumas peças ao contrário. Mas você viu ou acha quê? De que tamanho e quantas? Lina levou os chinelos na mão por­que não teve paciência de calçar. Iam rápido, as blusas já com as manchas d’água, Titi na frente empurrando o mato com as pernas que pingavam, Lina com o jeans ar­rastando na grama. O João devia estar matando zumbis, enquanto, perto do rio, a cidade se agitava num segredo ainda não descoberto. O pé de Lina deslizou na lama e continuaram correndo. Chegaram perto e ficaram acoco­radas atrás do mato. Eram três retroescavadeiras e esta­vam pondo tudo abaixo. Arrancavam as árvores do chão e essas iam cair umas sobre as outras. Engatavam uma ré e iam de novo. Havia então o barulho dos galhos se que­brando e o farfalhar exagerado das folhas, como se numa grande tempestade que põe as crianças encolhidas debai­xo das cobertas. E das árvores partidas, o cheiro doce da seiva tomava todo o ar de março.</p>
<p>Um espaço vazio já estava aberto no meio do verde amontoado. Era de onde um homem dava ordens e indi­cava direções às retroescavadeiras, e sua barriga gorda e mole aparecia cada vez que levantava o braço. Seis dias sobre sete e era isso o que ele tinha que fazer, derrubar. Passou as costas da mão pela testa e olhou em volta. As meninas se abaixaram ainda mais, uma empurrava a ou-tra por um pedaço maior de moita. O homem limpou a garganta, o som de um animal selvagem que vai atacar.</p>
<p>Cuspiu na terra. A terra antes não parecia tão vermelha quanto estava agora. O homem gritava, apontava, cuspia. Uma retroescavadeira estava brigando com uma grande árvore que não podia correr. A máquina ficou mais baru-lhenta e foi com tudo. Deixou o tronco lascado, e ia então mais uma vez. Cheiro bom. De seiva. De terra mexida. Mais uma vez. Ouviram que se soltava, que perdia, como um rasgo, um som seco, o que faz fogo atiçado. A árvore daí de ponta-cabeça no amarelo da máquina, carregada sem jeito, como princesa levada pelos cabelos.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
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<p style="text-align: center;">* *</p>
<p><em>Imagen: <a href="http://www.luciavassallo.com/" target="_blank">Lucía Vassallo</a></em></p>
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		<title>El lecho</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2015 03:15:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator><![CDATA[heather]]></dc:creator>
				<category><![CDATA[Ficción]]></category>
		<category><![CDATA[Porto Alegre @es]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="text-align: right;">Carol Bensimon
traducción de Martín Caamaño</p>
<p style="text-align: left;">Lo que pasa es que nacieron en una ciudad muy pequeña entre dos ciudades más o menos grandes, algo malo para adaptarse, porque así tenían toda la ruta para mirar, y miraban. Y lo que pasa es que al costado de la ruta había un almacén en una casa del mil novecientos treinta y pico, sus escaleras una tribuna para las chicas. Se quedaban, y toda la tarde. Algunos autos seguían de largo, un auto se detenía. Titi dejaba que sus finas piernas se estirasen en el paisaje, las picaduras de mosquito una cascarita de sangre de tanto rascarse. La remera llegaba hasta los muslos, si es que ya tenía muslos. El viajero pedía permiso, entraba, Titi se reía a escondidas. Lina, tres años más grande, era un poco más triste. No ... <a href="http://www.buenosairesreview.org/es/2015/08/el_lecho/">Leer más &#187;</a>]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Vasallo_2.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-5708" alt="Vasallo_2" src="http://www.buenosairesreview.org/wp-content/uploads/Vasallo_2.jpg" width="472" height="709" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>Carol Bensimon</em><br />
<em>traducción de Martín Caamaño</em></p>
<p style="text-align: left;">Lo que pasa es que nacieron en una ciudad muy pequeña entre dos ciudades más o menos grandes, algo malo para adaptarse, porque así tenían toda la ruta para mirar, y miraban. Y lo que pasa es que al costado de la ruta había un almacén en una casa del mil novecientos treinta y pico, sus escaleras una tribuna para las chicas. Se quedaban, y toda la tarde. Algunos autos seguían de largo, un auto se detenía. Titi dejaba que sus finas piernas se estirasen en el paisaje, las picaduras de mosquito una cascarita de sangre de tanto rascarse. La remera llegaba hasta los muslos, si es que ya tenía muslos. El viajero pedía permiso, entraba, Titi se reía a escondidas. Lina, tres años más grande, era un poco más triste. No mostraba las piernas ni nada, porque ya empezaba a tener algo. Rayaba su nombre con una piedra, solo la pulsera de bolitas amarillas rompía con el negro de la ropa. El viajero se iba otra vez con su Coca-Cola. Si venían familias, mucho mejor, todo el negocio crujía como una señora vieja. Doña Celestina hacía las sumas en lápiz con letra parsimoniosa de colegio. El viajero se impacientaba porque tenía que viajar. Y dentro del negocio los viejos jugaban dominó sin hablarse unos con otros.</p>
<p>A comienzos de marzo Titi dijo: Hace calor, podríamos ir a nadar, y le sonrió a Lina. Eso porque siguiendo el sendero abierto a fuerza de insistir por el medio del matorral, estaba ese río que aparecía, corriendo también como la ruta, yendo, hasta que surgiesen en la costa, ya muy lejos, los aserraderos, la usina abandonada y la tristeza de los peces a la milanesa con limón en plato de plástico para aquellos que no pueden pagarse las vacaciones en un paisaje mejor. Pero las hermanas no habían notado nada de esto. Lina creía que el río ya había perdido un poco la gracia. Los pies iban pegándose en el fondo, los dedos rozando lo áspero y bajando por la arena, y mejor no saber por dónde y a través de quién había pasado aquella agua. No respondió. Titi hizo un globo con el chicle, puso la lengua en el medio. Qué río ni qué nada, siguió pensando Lina. Ahora era peor todavía porque los chicos tenían la costumbre de fumar a escondidas cerca de la higuera y se reían por cualquier cosa, los pies clavados adentro del agua, hablando alto, riéndose de qué.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p style="text-align: left;">Titi se metió corriendo al río, golpeando el agua con las palmas abiertas. Volaron un montón de gotas, haciendo un barullo que tapó el de los autos en la ruta. Parece ser que ella se divertía siempre, incluso con la monotonía sin fin, y por eso Lina sentía algunas puntadas de bronca, que reprimía rápido para no sentir que estaba siendo mala. Y después le hacía unos mimos y listo, respiraba aliviada. Pero quién sabe lo que podía llegar a pasar de acá a dos o tres años con esa facilidad de Titi para que le agradara cualquier cosa.</p>
<p style="text-align: left;">Lina fue entrando al agua bien despacio, sintiendo el frío, ajustándose la biquini, mirando la orilla, el mato. El tronco de la higuera no tenía ni chicos ni bicicletas apoyadas y, a la sombra de la higuera, nadie tirado encima. Solo pájaros y peces alrededor, el tedio de que no pase nada. Ciudad bruta. Una plaza, una iglesia, ningún semáforo, conversaciones repetidas. Quien logra irse, se convierte en héroe y en tema de conversación. Los domingos, las familias salen a la calle y caminan de una punta a la otra bien despacio, para que la ciudad no se termine demasiado pronto. Pasean por la iglesia. Pasean por la plaza. El héroe viene de lejos, la familia sale a exhibir al héroe. Y los demás, en las esquinas, unas pocas esquinas, paran la oreja para después contar lo que oyeron.</p>
<p style="text-align: left;">Lina fue hasta la mitad del río. Cuando se sumergió, oyó que Titi empezaba a decir algo, pero entonces el agua quedó encima del resto. Abrió los ojos allá abajo. Las piernas de su hermana pataleaban sincronizadas, como un juguete a cuerda puesto en una vasija. Lina aprovechó el silencio el tiempo que pudo. Hasta estaba bueno. Tuvo tiempo para imaginar o recordar a João. João era uno de los chicos, o el único. El resto eran los chicos que andaban con João y listo. Se reían todos de la misma manera (de los chistes de João). Se sentaban todos de la misma manera (alrededor de João). Todos jugaban al videojuego de João. Muchas noches se veía por la ventana el living azulado, se sentía el olor a pochoclo, se escuchaban los dedos apretando los botones, y los gritos de los zombis destrozados, pa, pa, pa, pero João era bueno en serio y el juego se terminó tan rápido que tuvo que pedir otro, porque en la casa de João no hay una fecha para recibir regalos, ni siquiera se necesita dar muestras de buena conducta. Por aquel entonces fue ese el João que Lina quiso imaginar trepado en la higuera, con un cigarrillo atrás de la oreja, sonriendo y ofreciéndole. ¿Querés, Lina? Eso no pasó nunca.</p>
<p>Salió de abajo del agua. Justo la más chica se acercaba dando saltos y los ojos bien abiertos centelleantes de un miedo contento, ansiosa por dar la noticia. ¿Vos escuchaste eso? Sí, mucho barullo, pero ¿qué es? Vamos, hablá. Titi respiraba agitada. Y aunque en un principio no había nadie más ahí cerca, Titi se cubrió la boca con las manos antes de hablar.</p>
<p style="text-align: center;">*</p>
<p>Fueron corriendo a buscar la ropa y se pusieron algunas prendas al revés. ¿Pero vos lo viste o creés que? ¿De qué tamaño y cuántas? Lina se llevó las ojotas en la mano porque no tuvo paciencia para calzarse. Iban rápido, las blusas ya mojadas, Titi adelante empujando los arbustos con las piernas que goteaban, Lina arrastrando los jeans por el pasto. João debía estar matando zombis mientras, cerca del río, la ciudad se agitaba por un secreto aún sin revelar. El pie de Lina se resbaló en el barro y siguieron corriendo. Llegaron cerca y se quedaron en cuclillas atrás de un arbusto. Eran tres retroexcavadoras tirando todo abajo. Arrancaban los árboles del suelo que caían unos sobre otros. Daban marcha atrás e iban de nuevo. Entonces se oía el ruido de los troncos quebrándose y el crujido exagerado de las hojas, como en una de esas grandes tormentas que hacen que los niños se acurruquen bajo las sábanas. Y de los árboles partidos, el aroma dulce a savia llenaba todo el aire de marzo.</p>
<p>Ya se había abierto un espacio vacío en el medio del verde amontonado. Era desde donde un hombre daba órdenes y dirigía las retroexcavadoras, y su panza gorda y blanda aparecía cada vez que levantaba el brazo. En seis días de siete eso era lo que tenían que hacer, derrumbar. Se pasó el dorso de la mano por la cabeza y miró alrededor. Las chicas se agacharon todavía más, una empujaba a la otra por un pedazo mayor de arbusto. El hombre se aclaró la garganta, el sonido de un animal salvaje que va a atacar. Escupió la tierra. La tierra antes no parecía tan roja como ahora. El hombre gritaba, señalaba, escupía. Una retroexcavadora estaba luchando con un gran árbol que no podía mover. La máquina se puso más ruidosa y fue con todo. Dejó el tronco astillado, y fue  na vez más. Rico olor. A savia. A tierra removida. Una vez más. Oyeron que se soltaba, que perdía, como un rasgueo, un sonido seco, el que hace el fuego atizado. El árbol da de cabeza en el amarillo de la máquina, cargado sin modales, como una princesa llevada de los pelos.</p>
<p style="text-align: center;">* *</p>
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<p style="text-align: center;">* *</p>
<p><em>Imagen: <a href="http://www.luciavassallo.com/" target="_blank">Lucía Vassallo</a></em></p>
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